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Exposição conta história e glórias de 67 anos do Operário Varzeagrandense

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A Casa de Artes se cobriu com as cores do Clube Esportivo Operário Varzeagrandense (C.E.O.V) para reviver a história e tempos de glória do principal time de futebol do Município. O espaço abriu ontem  exposição em homenagem aos 67 anos de fundação da agremiação que já levou o nome de Várzea Grande para o país e hoje está entre os 100 clubes brasileiros da modalidade. Na noite de ontem (9), a abertura da exposição reuniu centenas de torcedores, familiares de ex-jogadores e os alguns dos craques que fizeram parte da trajetória do Operário, como ‘Fião’, Gerson Lopes, Upa Neguinho, Caetano Costa, Musse e Jafa Untar.

A exposição “Tricolor – Passado, Presente e Glórias”, foi aberta oficialmente ontem à noite com a presença da prefeita Lucimar Sacre de Campos. A mostra integra a programação de aniversário dos 149 anos de Várzea Grande e serviu para prestar homenagens às pessoas que fizeram e fazem parte do futebol varzeagrandense.

Logo na entrada, os torcedores se emocionaram ao ouvir o hino do tricolor e foi sendo executado com som ambiente durante todo o evento. Fotos antigas, reportagens, troféus, vídeos com gols antológicos, bandeiras fizeram com que muitas famílias e ex-craques realizassem uma volta ao passado, como foi o caso da família do ex-zagueiro Ponceano Ferreira de Campos, considerado o melhor na história do time nessa posição. Falecido, sua atuação, especialmente em 1958, foi lembrada e recontada pela viúva Nildes Campos, as filhas Lucimar e Lúcia e da neta Nayra. “Frequentávamos o Verdão, o Dutrinha. A nossa casa servia de reunião entre os jogadores, como ponto de concentração e após as vitórias, as comemorações. Foi uma época muito gostosa que marcou as nossas vidas de lembranças e histórias”, disse a filha Lucimar.

A exposição conseguiu reunir importantes craques do tricolor, como ‘Fião’, hoje com 80 anos e responsável pelo maior feito do time em campo: em 1960, contra o XV de Novembro, do bairro Porto em Cuiabá, ele marcou dez gols. Seo ‘Fião’, que se chama Altair Caetano da Silva, jogava como centroavante e ficou no Operário de 1963 a 1970. Atualmente, aposentado, reside no bairro do CPA, em Cuiabá.

Outro craque muito saudado e homenageado com placa alusiva a exposição, compôs a formação do primeiro time do clube em 1949, Caetano Costa, que mesmo aos 95 anos, fez questão de prestigiar o evento e ajudar a contar a história. Zagueiro central, ele não se lembra mais quantos gols fez durante sua atuação, mas se recorda com muita alegria e muita saudade dos tempos do futebol.

De Várzea Grande para o Clube de Regatas Flamengo, no Rio de Janeiro, o Operário ‘exportou’ o centroavante Gerson Lopes, campeão no Rio pela Taça Guanabara e defensor do Operário no Brasileirão de 1979. Aos 57 anos, Gerson segue vivendo do futebol, é técnico de uma escolinha de futebol em Cuiabá.

A família Untar entrou para galeria do Operário ao dar ao time três goleiros, os irmãos Musse, Ali e Jafa. Musse e Jafa Untar vieram de Campo Grande para receber a homenagem do Operário e da Casa de Artes. Musse foi intitulado na época como ‘campeão dos campeões’ de 1964. Hoje militar aposentado e com 73 anos, ele frisou que “homenagens têm de ser prestadas em vida” e que ele estava muito contente por estar vivendo esse momento e de poder dividir a alegria com torcedores, ex-companheiros e familiares. É bom lembrar que a família Untar deu ao tricolor, mais recentemente, o atacante Nasser. O irmão Ali recebeu homenagem póstuma.

A prefeita, que teve seu filho mais velho, Jayme Veríssimo de Campos Júnior – Jayminho – como um dos presidentes do clube, destacou que o Operário é a vida do povo de Várzea Grande e que resgatar a memória do time é resgatar boa parte da história de Várzea Grande. “Tive a honra de ter meu filho Jayminho como presidente do Operário e naquele momento ele voltou a unir a juventude de Várzea Grande em torno do time e acredito que ao abrir essa exposição faremos com que as glórias do passado se fortaleçam em ações que tragam nosso time de volta à elite do futebol, porque Várzea Grande é única, Várzea Grande é tradição e juntos vamos honrar essa história”.

O presidente da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), João Carlos dos Santos, que também foi jogador do Operário, lembrou que chegou ao time em 1977 e nunca mais deixou o Estado. “Quero contribuir para que o futebol de Várzea Grande volte a ser reconhecido em nível nacional”.

O atual presidente do Operário, Geovanni Banegas, também homenageado, assumiu o compromisso de resgatar a memória e a ajudar a escrever as próximas páginas do time e lembrou que o Operário vai disputar nesse ano a série D e participou de três Copas do Brasil consecutivas.

Ainda entre os homenageados na noite de ontem estavam os torcedores símbolos como Honório Magalhães e a dona Mariana Macedo, que sempre morou em Cuiabá, mas se apaixonou pelo Operário e conseguiu até ‘converter’ o esposo ‘mixtense’ a virar operariano. O massagista Geraldo Malaquias, personagem histórico do clube, também foi homenageado. Em nome do fundador do time, Rubens dos Santos, ‘o velho guerreiro’, o jogador Gerson Lopes recebeu a placa comemorativa. Outro presidente do clube, que representou os demais companheiros na direção da agremiação, foi homenageado, Gonçalo Pedroso Branco de Barros.

A exposição “Tricolor – Passado, Presente e Glórias”, poderá ser visitada até o dia 31 deste mês, em horário comercial, na Casa de Artes, que fica na Avenida Couto Magalhães, ao lado da praça Aquidaban. A mostra, coordenada por Saturnino José da Costa, que além de membro do Conselho Municipal de Cultura, é um grande apaixonado pelo time, pretende resgatar não apenas a paixão do varzeagrandense pelo Operário, como levar a população para dentro da Casa de Artes. “Vamos recuperar a nossa história e fomentar nossa cultura”.

CURIOSIDADES – Como lembra o historiador, a família de Neymar escreveu parte da história do clube na década de 90. O Neymar ‘pai’, vestiu a camisa do Operário e em 1997 fez um gol de calcanhar, garantindo a vitória operariana por 2 x 1 sobre o União de Rondonópolis. “Temos fotos na galeria que mostram Neymar ‘pai’ com o filho, Neymar Júnior e a sua filha ainda de colo. Eles viveram em Várzea Grande e ajudaram a escrever essa história”, disse bastante emocionado o coordenador.

O Clube Esportivo Operário Varzeagrandense foi um dos clubes mais importantes do Estado do Mato Grosso. Ganhou nove títulos estaduais (1964, 1967, 1968, 1972, 1973, 1983, 1985, 1986, 1987). O título de 1973 é considerado como um dos títulos mais importantes para a história do clube, quando o Estado ainda não era dividido, sendo o primeiro campeão estadual de futebol profissional do estado de Mato Grosso. Na final o Operário, na melhor de três pontos, empatou a primeira partida contra o Dom Bosco em 0 x 0 e na final, numa manhã de domingo, goleou o ‘Leão da Colina Iluminada’, 4 x 0, sendo dois de Bife, um de Cézar e outro de Ruiter. “Vale ressaltar que as partidas antes de serem transmitidas ao vivo pela televisão eram uma grande atração, com o estádio Presidente Dutra, o Dutrinha, completamente lotado em todos os jogos e repleto de famílias”, lembrou o ex-jogador Zé Pulula.

O coordenador lembra que além dos ex-craques homenageados na noite de ontem, muitos outros grandes jogadores foram importantíssimos para o elenco do Operário, como Zé Pulula da Silva, Bife, Mão de Onça, Wendel, Paulo Vitor, Nono Sapateiro, Gilson Lira, Dirceu Batista, Carlos Pedra, entre outros craques que se destacaram no futebol brasileiro. O atacante Zé Pulula, que defendeu o Operário desde o início dos anos 70, negociado com o Paulista de Jundiaí em 1975, retornou ao tricolor emprestado para disputa do Brasileiro de 1978/79, foi um dos grandes colaboradores para o resgate do acervo da mostra. Nessa época, como lembra Zé Pulula o presidente do Operário era o médico Moacir De Lannes.

O time teve vários apelidos (chavões) como “Chicote da Fronteira”, em razão da conquista do título de 1964 do primeiro campeonato amador, sendo o campeão dos campeões, “A alma alegre de um povo”, ao ganhar o primeiro campeonato cuiabano profissional em 1967 e “Pequeno David”, que ganhava partidas de grandes times da Capital.

Secom/VG

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