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Coronavírus faz primeira morte em Pequim e ameaça é ‘elevada’ ao nível mundial

Publicado por: Rosano Almeida

Uma primeira morte causada pela epidemia de pneumonia viral foi registrada em Pequim, em um cenário de crescente ansiedade em todo o mundo, com a multiplicação de medidas de prevenção nas fronteiras, enquanto a OMS considera “elevada” a ameaça representada pelo vírus internacionalmente.

“Estamos em estreita comunicação com a China sobre o vírus”, tuitou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes de acrescentar que ofereceu “toda a ajuda que possa ser necessária”.

A Mongólia, por sua vez, tornou-se o primeiro país a fechar as fronteiras terrestres com o território chinês. Ao mesmo tempo, pessoas da província chinesa de Hubei, a mais afetada, foram proibidas de viajar à Malásia, enquanto a Alemanha e a Turquia desaconselharam viagens para a China.

França e os Estados Unidos preparam, por sua vez, a evacuação de seus cidadãos.

O número de mortos chega a 82 e o número de casos confirmados oficialmente é de mais de 2.700 na China, incluindo o de um bebê de nove meses. Cerca de cinquenta outros pacientes foram identificados em outras partes do mundo, incluindo vários países da Ásia, Austrália, Europa e América do Norte.

Funcionário com roupa de proteção no metrô de Pequim

A crise também gera temores de um enfraquecimento da economia chinesa, ou mesmo mundial, levando a uma queda de mais de 2% nas bolsas de valores do Japão e da Europa, enquanto Nova York também estava em forte declínio.

A Bolsa de Xangai, fechada devido a feriados, decidiu estender seu fechamento por três dias, até 2 de fevereiro, segundo a imprensa.

Vários eventos esportivos internacionais programados em solo chinês também tiveram que ser cancelados, adiados ou deslocados.

Primeiro-ministro em Wuhan 

A ameaça de disseminação é grande. O prefeito de Wuhan, onde o coronavírus surgiu em dezembro, disse no domingo que cinco milhões de pessoas deixaram essa metrópole de 11 milhões de habitantes antes do feriado do Ano Novo Chinês em 25 de janeiro.

A cidade está isolada do mundo desde quinta-feira. A maioria das lojas está fechada e o tráfego é proibido para veículos não essenciais, segundo uma equipe da AFP.

“Todo dia eu me preocupo mais”, disse um estudante vietnamita, Do Quang Duy, de 32 anos.

Um arranha-céu proclamava nesta segunda-feira à noite, em grandes caracteres rosados, a frase “Força Wuhan!”.

Com um casaco azul e máscara de proteção, o chefe do governo chinês, Li Keqiang, chegou a Wuhan nesta segunda, tornando-se o primeiro alto funcionário do regime comunista a visitar a área desde o início da epidemia.

Em uma fotografia oficial, podemos vê-lo em um hospital, com o rosto coberto por uma máscara azul.

As autoridades da província de Hubei têm sido alvo de duras críticas nas redes sociais, onde são acusados de incompetência ou ridicularizados.

Neste contexto, o chefe da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, era esperado em Pequim.

Sua organização, corrigiu nesta segunda-feira sua avaliação do risco do coronavírus que surgiu na China, considerando elevado para o nível internacional, depois de tê-lo descrito como moderado por “erro de formulação”.

Em seu relatório sobre a situação, publicado nas primeiras horas desta segunda-feira, a OMS indica que sua “avaliação de risco (…) não mudou desde a última atualização (22 de janeiro): muito alto na China, alto no nível regional e em todo o mundo”.

Na última quinta-feira, a OMS considerou “muito cedo para falar de uma emergência de saúde pública de alcance internacional”.

Enquanto isso, em Hong Kong, os pesquisadores disseram que os governos devem adotar medidas “draconianas” para restringir a circulação de pessoas, se quiserem impedir a propagação do vírus.

Eles apontaram que o número de pessoas infectadas pode dobrar a cada seis dias, atingindo o pico em abril e maio em áreas que já enfrentam uma epidemia. Estimam, com base em modelos matemáticos, que existem atualmente mais de 40.000 casos.

Além disso, as autoridades de saúde dos Estados Unidos informaram que sequenciaram o genoma de dois dos primeiros casos de coronavírus chinês nos Estados Unidos, chamados 2019-nCoV, e confirmaram que o vírus era o mesmo que o detectado na China.

Um alto funcionário dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) também anunciou que os Estados Unidos mudarão em breve as regras de inspeção e detecção do vírus no país, que neste momento estão limitadas apenas a viajantes que estiveram em Wuhan.

“Todas as imagens que extraímos são semelhantes às que a China publicou originalmente há algumas semanas”, disse Nancy Messonnier, diretora do departamento de doenças respiratórias do CDC, durante uma teleconferência.

“Isso significa que, de acordo com a análise dos dados disponíveis no CDC, parece que o vírus não sofreu mutação”, acrescentou.

 

AFP

 

 

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